O governo federal adiou para janeiro de 2027 o início do pente-fino do BPC (Benefício de Prestação Continuada) e dos mutirões de perícia médica antes previstos para maio a outubro de 2026. A decisão, noticiada nesta quarta-feira (10), desloca servidores do INSS para a tarefa considerada hoje mais urgente pela autarquia: reduzir a fila de novos requerimentos de aposentadoria, pensão e auxílios.

O adiamento não significa o fim da revisão. Cerca de 280 mil consultas e perícias ligadas ao BPC foram reagendadas para a nova janela, e a obrigação de manter o Cadastro Único atualizado no CRAS continua valendo normalmente. Para o beneficiário, a regra prática não mudou.

O que muda agora — e o que não muda

Vale separar o que foi postergado do que continua valendo:

  • Adiado: revisão periódica do BPC e mutirões de perícia médica, antes previstos para maio a outubro de 2026, agora marcados para janeiro de 2027.
  • Não adiado: manter o CadÚnico atualizado no CRAS (a cada 24 meses), acompanhar notificações pelo Meu INSS e pela Central 135 e corrigir divergências de renda ou composição familiar.
  • Não cancelado: o pente-fino segue como ferramenta permanente de averiguação de renda e checagem cadastral; o que mudou foi o calendário, não a regra.

Por que o INSS mudou a prioridade

Em 2026, o INSS instituiu a fila única nacional pela Portaria PRES/INSS nº 1.919/2026, com ajustes posteriores como a Portaria nº 1.962/2026. Na prática, servidores de regiões com menor demanda passam a analisar pedidos de regiões com filas maiores. Com essa reorganização, o estoque de pendentes caiu de 3,1 milhões para 2,2 milhões; para manter a tendência, o governo preferiu não abrir, no mesmo período, um mutirão de 280 mil revisões.

O contra-argumento: adiar é decisão técnica ou política?

Há quem leia o adiamento como decisão política, já que a nova janela cai depois das eleições. A crítica também aponta que postergar a revisão pode atrasar a identificação de pagamentos indevidos. É uma leitura legítima, mas não suspende o que importa para o beneficiário: a revisão não foi extinta, e o critério de renda familiar per capita inferior a 1/4 do salário mínimo previsto no art. 20 da Lei nº 8.742/1993 (LOAS) continua sendo o parâmetro do BPC.

Quem deve ficar atento daqui até 2027

Ainda que o calendário esteja mais folgado, há perfis que devem se antecipar:

  • Quem está com o CadÚnico desatualizado há mais de dois anos — risco de suspensão administrativa independe de mutirão. Veja o passo a passo de como regularizar o CadÚnico do BPC.
  • Quem teve mudança de composição familiar, renda ou endereço sem atualizar o cadastro no CRAS.
  • Quem recebeu notificação no Meu INSS ou carta da Previdência — esse aviso individual não depende do pente-fino coletivo.
  • Quem já tem convocação individual pelo pente-fino do INSS.

Atenção a golpes: o INSS não pede senha, código, Pix ou taxa para manter o benefício.

Perguntas frequentes

O pente-fino do BPC em 2026 foi cancelado?
Não. O governo adiou a revisão de maio–outubro de 2026 para janeiro de 2027. O procedimento é permanente e segue previsto.

Quando começa o novo pente-fino do BPC?
A nova janela começa em janeiro de 2027; a partir dali, os mutirões de perícia e de averiguação cadastral devem ser retomados.

Preciso atualizar o CadÚnico mesmo com o adiamento?
Sim. A atualização deve ser feita no CRAS a cada 24 meses, ou ao mudar composição ou renda familiar. A desatualização é o principal motivo de suspensão imediata do BPC.

Fontes oficiais

O calendário do governo mudou, mas o do beneficiário não: CadÚnico em dia hoje vale mais do que esperar a próxima convocação em 2027.


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